segunda-feira, 29 de agosto de 2011



nesta cama a carne

grita-te


os braços obrigam-se a

parar

e de mim escorres sem

me engolires


fome do corpo insaciável


na curvatura da posse

encontro-me

sedenta sede orgástica

sexta-feira, 26 de agosto de 2011



ondas de silêncio

desfazem-se nos teus pés


impressões na areia húmida

são murmúrios distantes da alma



segunda-feira, 26 de abril de 2010


"Steel Pier" by © Michael Levin





movimento com paralisia
como incontinuidade
nas asas de um pardal


assim são os dias
não todos
alguns



não de todos
mas sempre de alguns


gritos que embalam as estrelas


quinta-feira, 8 de outubro de 2009




a teu lado

mergulho
voo


nas ondas do teu olhar
um grão de areia
distingue-se


embalada
regresso a casa


boca
lábios
beijo
língua



dança o abraço
no templo do tempo


espaço
sentimento amplo
na reza do amor


quinta-feira, 20 de agosto de 2009





as palavras todas

em resumo uma



a multidão que não passa

à tua pessoa



desejos no plural

singular desejo



e o sentir que é

amar-te...

domingo, 16 de agosto de 2009






o canto da boca

desafia a latitude 0º

dissertação e pensamento

no equador do desejo

contra
prazeres profanos

simplesmente sagrados

rasgados
trespassados
acometidos

no gesto horizontal

venerado

quinta-feira, 30 de julho de 2009




pele

emaranhada
furiosa
faminta
enlouquecida
deliciosa

na pele se quer


penetrá-la
até as entranhas gritarem

minha tua

indistinta


percorrida
profanada
perfumada
sagrada

coberta
com suores
rios e mares

a sairem para

a minha mão


a minha boca


sexta-feira, 17 de julho de 2009




o silêncio das ondas
no olhar dos dias
que por lapso se seguem
na ignóbil tarefa do coração

quando sentes que não és a única

a não aparentar ser aquilo
que eu aparento perceber


** sobre ideia "freudiana" de A_Radical

quinta-feira, 9 de julho de 2009





tropeço em mim
na opacidade dos teus lábios
estáticos erráticos voláteis

nas nuvens dos caminhos
inextricáveis do teu corpo
massivos no teu fundamento

como trivialidades da imaginação
em cortejo fúnebre


segunda-feira, 29 de junho de 2009



segundo apressado
no contorno do ombro
aí repousa a vontade

do beijo flecha
que atravessa em prontidão
vento chuva trovão

como o coração
jovem incauto incerto
na celeridade da cobiça


e a memória dos peixes é de apenas três segundos...

sexta-feira, 19 de junho de 2009



as folhas cobrem

o tempo do silêncio

em instantes quotidianos


o tempo desvanece-se

nas pegadas ilúcidas

de seres desnudos


e nas árvores encarnadas

a nudez dos dias

reflecte-te a cada segundo


quarta-feira, 3 de junho de 2009


                                   mesmo à vista de todos

cegos não vemos

o que o espaço não esconde


a distância é uma variável



                            nem longe

nem perto
 

existir é tudo

nada
 


                a relatividade das coisas

engravida olhares alheios
 


masosteuslábioscontinuamaseroiníciodetodasaspalavras

quinta-feira, 28 de maio de 2009



no ângulo de uma rua
a boca do desejo
repousa nos teus seios



e a verdade solta-se
nos espasmos das tuas pernas


terça-feira, 12 de maio de 2009



o grito atinge-me
no teu cabelo


a violência afunda-se
no teu sorriso


toda a minha loucura
desenfreada


na vizinhança da distância


no levantar do meu olhar


terça-feira, 5 de maio de 2009


saber no vazio
a plenitude


o clarão do dia que turva
a noite
na oitava nota


e o corpo que sabe
bem
o dó desta alma


sábado, 2 de maio de 2009

sexta-feira, 1 de maio de 2009



apressa o olhar
no silêncio da tua boca


dizes
apresso-me


para naquele instante ver os dias
na translucidez dos teus lábios


quarta-feira, 29 de abril de 2009




palavras desconexadas



em movimentos desordenados 

DANÇA(m) no jardim

dos teus olhos gelados





e quando hoje visitei



a lua no quatroquarto crescente

encontrei a cama onde sonho
                         pousada nas tuas coxas 

quinta-feira, 23 de abril de 2009



montar-te
caminhar-te


veloz o rio entrenha-se no mar

orgasmos de ondas molham-nos



desmonto-me
paro-me


desenho nas costas de afrodite

lagos no triângulo das bermudas


terça-feira, 21 de abril de 2009



a relatividade do tempo preso
na eternidade do teu ventre
escoou-se na pele do teu olhar

aí perdi-me enterrei-me
na vida que respiras com engenho
pelos poros dos teus seios

quando os meus lábios os sugam
e os teus mamilos ficam erectos